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10 de outubro de 2014

Dia Nacional de Combate à Obesidade

O dia 11 de outubro é marcado como o Dia Nacional de Combate da Obesidade. Um dia para mobilização contra este mal dos tempos modernos, mas principalmente para refletir sobre o tema. E isto é o que propõe o artigo da Psicóloga Hospitalar Mariana Azevedo. Acompanhe. 

 

BARIÁTRICA: ESTÉTICA OU NECESSIDADE?

Um enfoque psicológico


A obesidade é uma doença crônica, de evolução lenta que acarreta uma série de complicações psíquicas, físicas e emocionais. Hoje, nos deparamos com muitos tratamentos que objetivam a perda de peso e retomada de saúde. A cirurgia bariátrica tem sido atualmente uma das alternativas mais vistas, para aqueles que almejam alcançar o tão sonhado corpo "magro", influenciados por uma sociedade faminta de afeto, de cuidado, de escuta e de compreensão. Percebemos uma competitividade exarcebada, empobrecida de significados e, contaminada pelo mito da beleza física como retrato de prestígio social e poder.

Aqueles que distanciam destes padrões, em especial os obesos, carregam uma tarefa inglória e mutiladora: a de superar o preconceito e buscar o reconhecimento a todo custo, a fim de que sua condição física possa ter menos impacto diante do coletivo. O problema alimentar vem assim, como muitos outros sintomas pertubadores desta doença, assinalar a necessidade de que a psiquê tem de ser vista e amada.

A obesidade é reflexo de um sintoma de fome de amor não saciada, de raiva não expressada, do medo de rejeição e solidão, escondidas por um silêncio "recheado" de comida. O alimento é visto como além dos aspectos fisiológicos, um substituto e compensação. As normas impostas pela sociedade atual, pela mídia, de que, hoje, só é feliz quem é "magro" exercem fortes influências sobre a percepção da imagem corporal, sendo a distorção desta imagem, uma das consequências pós-cirurgia bariátrica. E isto porque muitos obesos recorrem ao procedimento, acreditando que será a solução de todos os seus problemas, uma "luz no fim do túnel".

A cirurgia é apenas uma das alternativas para a redução do peso, melhora da qualidade de vida e saúde, visto que, a obesidade mórbida e suas comorbidades associadas podem levar o paciente à morte, se não bem tratada e diagnosticada. O preparo psicológico envolve o levantamento de dados históricos pessoais e dados da história familiar permitindo que a pessoa candidata à cirurgia bariátrica possa perceber o que é pertinente ao fator obesidade e o que está sendo projetado na obesidade e na verdade não lhe pertence. Muitas vezes existem expectativas depositadas no emagrecimento que não vão ser cumpridas com a perda de peso, pois dizem respeito ao tratamento de um quadro depressivo, ansioso, ou mesmo de um processo de imaturidade diante da vida. Frustrações com os resultados cirúrgicos devido às expectativas mal colocadas tendem, a atribuir à cirurgia culpabilidades que não lhe cabem. Não é raro ouvir um comentário de que alguém deprimiu com a cirurgia bariátrica quando a depressão já estava na entrevista pré-operatória. O paciente deve saber que cirurgia para perda de peso não trata pânico, depressão ou transtorno bipolar. Esses transtornos devem receber tratamento paralelo à cirurgia.

Qualquer psicólogo que já tenha atuado no campo das cirurgias, e em especial, na cirurgia bariátrica, recebe pacientes que chegam como quem busca retirar um mal, ou como quem quer reformar uma roupa que não lhe cai bem. Quer sair dali sem aquele defeito, ou mazela, sem maiores questões ou reflexões sobre causas ou efeitos das reformas realizadas. Este tipo de paciente exige deste profissional um trabalho bem específico, que inclui o estudo da fisiologia, da psicopatologia, da genética, dos modelos relacionais de casal e familiares e também do trabalho em equipes multidisciplinares. E é na avaliação feita pelo psicólogo que o paciente pode falar dos seus sentimentos, angústias, expectativas e buscar dentro de si a compreensão de sua doença. Além de reduzir a angustia relacionada à cirurgia, esse processo aumenta a possibilidade de que o paciente vincule ao tratamento psicológico pós-operatório. A avaliação tem também um caráter profilático, pois pode indicar riscos nestes pacientes como, por exemplo, não ter tendência a respeitar as orientações médicas com relação à alimentação, atividades físicas e acompanhamento após a cirurgia.

No pós-operatório ocorrem mudanças rápidas tanto relacionadas aos hábitos alimentares, quanto ás mudanças na própria imagem corporal, exigindo do paciente, uma reflexão, emergindo as próprias questões emocionais. Para emagrecer, efetivamente, é preciso preparação e reorganização da vida. Eliminar a obesidade mórbida e permanecer não-obeso é uma condição que exige aptidão, habilidade e aceitação para lidar com a nova realidade corporal, após a intervenção cirúrgica, ou seja, é preciso uma nova corporeidade, mais consciente, mais responsável. Afirmar que a cirurgia bariátrica não é suficiente não significa ser contrário a tal solução. As pessoas poderão beneficiar-se da cirurgia, desde que, consigam desenvolver maior autonomia e responsabilidade pelo cuidado com a própria vida, desde que, compreendam que tornar-se magro e com um corpo "aceito" pela sociedade, não implica a solução final de todos seus problemas.

 

Mariana Azevedo

Psicóloga responsável pela Equipe de Cirurgia Bariátrica/Psicóloga Hospitalar do Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus / Pós-graduada em Psicologia Médica

 

 

Leia mais sobre a Cirurgia Bariátrica no HMTJ em: http://www.hmtj.org.br/2014/o-hospital/setores-e-servicos-de-saude/cirurgia-bariatrica


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