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02 de março de 2018

Encontro define criação de grupo inter-hospitalar para melhorar atuação das CIHDOTTs nas UTIs da cidade

O HMTJ esteve bem representado no evento que discutiu as mudanças do protocolo de morte encefálica realizado no Monte Sinai na última quinta-feira. Com plateia lotada e representantes de, praticamente, todos os hospitais de Juiz de Fora, a Sessão Clínica do dia 1º de março, recebeu Rafael Rabello, médico regulador da Central Nacional de Captação de Doação de Órgãos (CNCDO), para falar sobre as mudanças na Nova Resolução de Morte Encefálica. O debate conduzido pela coordenadora das Cihdotts (Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante) do Monte Sinai e Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus, Renata Ribeiro, terminou com uma proposta de formação de um grupo de estudo para buscar soluções que permitam aumentar a notificação e captação de órgãos. O seu objetivo será o de melhorar os resultados das aberturas de diagnóstico de Morte Encefálica em Juiz de Fora e, consequentemente, a captação de órgãos para transplantes. E a primeira data de reunião já ficou definida para a próxima semana.
Rafael Rabello mostrou todos os detalhes da atualização da resolução que define os critérios para a confirmação de morte encefálica, definida recentemente pela Confederação Nacional de Medicina (CFM), que incorpora leis mais atuais sobre os transplantes, facilita a abertura do protocolo do diagnóstico, quais profissionais podem atuar e como devem conduzir cada um dos passos. Mesmo diante de dados muito técnicos, o médico regulador teve uma plateia atenta composta por representantes das Cihddots de vários hospitais, de médicos intensivistas, fisioterapeutas, psicólogos, fonodiólogos e enfermeiros, além de profissionais de diversas especialidades envolvidos nas equipes de transplantes do Monte Sinai e da Santa Casa.
O interesse e a presença tão expressiva despertou a iniciativa de formação de um grupo para ajudar a melhorar a atuação das Comissões nos hospitais e, consequentemente, o resultado dos transplantes. A proposta partiu do nefrologista Gustavo Ferreira, responsável pelo Ambulatório Pré-Transplante Renal da Santa Casa, e foi prontamente endossada por todos os que se manifestaram durante o debate. Ele pontuou a realidade do baixo índice de captações, de 11,2%, em Minas Gerais, que deixa o estado atrás até da região Norte, que tem o Acre, por exemplo, se despontando no bom resultado do volume de transplantes.
O diretor do Centro de Estudos do Monte Sinai, Jorge Montessi, cirurgião torácico, destacou as dificuldades que viu quando acompanhou uma equipe do Rio de Janeiro na condução de transplante de pulmão e evidenciou a importância das equipes multiprofissionais nos processos. O diretor-clínico do Monte Sinai e integrante da equipe de transplante de fígado do Hospital, Rodrigo Peixoto, endossou a necessidade de mudar a realidade de Juiz de Fora, pontuando a dificuldade que é ver pessoas morrendo nas filas de espera por falta de órgãos, depois de iniciarem uma fase de candidatura em que o objetivo é justamente dar esperança de uma nova vida.
O médico Gláucio Souza, responsável pelo transplante de fígado da Santa Casa, reforçou que o problema da baixa captação não está na falta de famílias com interesse na doação - ele lembrou que o índice de recusa em Juiz de Fora é de menos de 36%, uma média menor que a referência nacional. E lembrou que a cidade está há 60 dias sem um caso de captação para transplante de fígado e rim, sendo a última com paciente de morte encefálica registrada no dia 29 de dezembro. "O problema está nas nossas UTIs e precisamos de uma mudança de paradigma para reverter esta situação", frisou.
E é justamente com este objetivo que uma lista de interessados foi formada na própria sessão clínica para reunir as pessoas dispostas a buscar soluções. Algumas ideias já começaram a surgir para mudar os processos de abertura e execução dos protocolos e há intenção de convidar representantes de outros hospitais que não tiveram presença na palestra. O Hospital Monte Sinai cedeu o espaço do Centro de Estudos para os encontros e a primeira reunião do grupo já foi definido: acontece na próxima quinta-feira, 8 de março, às 19h30.

  

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