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30 de agosto de 2016

HMTJ realiza cirurgia cardíaca em crianças e adultos de todo o país

Stefany, Jhully, Kerverson, Bruno e cerca de outras dez crianças de cidades como Presidente Médici/RO, Sooretama e Linhares/ES, Pimenta Bueno e Alta Floresta do Oeste/RO já passaram pelo Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus nos últimos 40 dias para realização de cirurgias cardíacas. O HMTJ assumiu o desafio de ser o único hospital de Minas, nos últimos quatro anos, a ingressar do projeto CNRAC, visando tirar de filas de espera de até três anos crianças e adultos com problemas cardíacos, mas sem estrutura para serem tratados pelo SUS em suas regiões.  


A Central Nacional de Regulação de Alta Complexidade (CNRAC), baseada em Brasília e ligada diretamente ao Ministério da Saúde (MS), concentra uma lista de pacientes que precisam de tratamento cardiológico, seja cirúrgico ou de Hemodinâmica (minimamente invasivo), em todo o país. Este cadastro fica disponível, através de um sistema informatizado, para hospitais credenciados para este tipo de atendimento. O HMTJ foi convidado a participar deste projeto, depois de passar por um criterioso processo de habilitação e, desde o início de julho, já recebeu crianças entre 2 anos e 8 meses e 11 anos, além dos primeiros adultos.


Para participar do CNRAC, o hospital tem que comprovar que dispõe de equipamentos, aporte tecnológico e médicos com expertise para o tratamento. Representantes do MS estiveram em Juiz de Fora para fazer o convite a hospitais que preenchessem estes pré-requisitos e, assim que definiu que tinha as condições necessárias para começar a receber os pacientes, aceitou a proposta e também atendeu ao apelo do MS de priorizar os casos com maior tempo de espera. Já foram recebidas cerca de 15 crianças para cirurgias para correção de defeitos cardíacos congênitos, além de três adultos para cateterismo e angioplastias.


Dr. Gustavo Ramalho, cardiologista intervencionista, responsável técnico pelo Serviço de Hemodinâmica do HMTJ e coordenador da implantação do projeto CNRAC no hospital, explica que não existe remuneração diferente para este atendimento, ele é pago conforme a tabela SUS, nada a mais ou a menos. "Apesar de sabermos que o Sistema está subfinanciado, com tabelas defasadas há muitos anos, a remuneração não foi empecilho para aceitarmos o desafio. A vocação do HMTJ é ser um hospital de ensino, 100% SUS. Como temos uma estrutura completa na Cardiologia, estamos utilizando nossa capacidade de tratar pessoas de todo o país, sem que isso afete o atendimento aos pacientes de nossa própria região", explica o médico. Ele lembra que esta é também uma prerrogativa do CNRAC e, assim, o HMTJ se organizou para receber até dois pacientes por semana de outros estados, mantendo as vagas disponíveis para a regulação regional, via SUS Fácil.

 

 

O acolhimento


A maioria dos pacientes que chegaram até agora são da região Norte, justo a que tem menos recursos de Foram contratados médicos com especialidade em cardiologia pediátrica, tanto para a investigação (Ecocargiografia) quanto para o pós-operatório, além de profissionais com expertise em cirurgia cardíaca e anestesiologia. Uma grande equipe multidisciplinar auxilia tanto na assistência quanto nas questões burocráticas, apoiando a chegada dos pacientes e seus acompanhantes com o máximo possível de conforto. Eles recebem uma ajuda de custo, conhecida como TFD (tratamento fora do domicílio), mas nem sempre chegam com a provisão necessária, roupas adequadas, hospedagem segura, pois os Centros Estaduais de Regulação de Alta Complexidade (CERAC) é que providenciam roteiros e reservas, sem considerar, por desconhecimento na maioria das vezes, a distância do aeroporto ou do hotel em relação ao Hospital.


O Serviço Social do HMTJ foi um dos setores que ingressaram no projeto visando apoiar especialmente os acompanhantes. Algumas crianças já chegaram acompanhadas por mais de um adulto - uma criança com síndrome de Down, por exemplo -, e não é possível acomodá-las na área de internação. Neste casos, foi importante o apoio de instituições como a Fundação Ricardo Moysés para hospedagem. O Hospital também já precisou doar roupas e cobertores, pois alguns nortistas enfrentaram Juiz de Fora com até 12 graus, em julho. As adaptações e o fluxo de informação com os outros estados têm sido melhorados na medida em que os imprevistos chegam junto com os pacientes. Uma grande parte dos colaboradores do Hospital tem se envolvido nos processos, visando corrigir as etapas do projeto para garantir o sucesso esperado neste novo desafio.

 

 

O tratamento


Os pacientes encaminhados pelo CNRAC não são de urgência ou emergência, são eletivos. O que permite que o hospital se programe para recebê-los. Gustavo Ramalho explica que depois da análise global da lista, a equipe do HMTJ avaliou que poderá atender de 80% a 90% dos procedimentos. Cerca de 10% são pacientes com patologia extremamente delicadas, que cabem a pouquíssimos centros capacitados a tratá-las no país. "Optamos por começar pelos casos mais comuns e ir aumentando o grau de complexidade com o passar do tempo", completa o cirurgião cardioinfantil Vagner Campos. Ele tem operado em dupla com outro cirurgião cardíaco, Marcio Trota.


Todas as crianças que chegam são submetidas a um ecocardiograma, realizado pela especialista em Ecocardiografia Infantil, Sara Guedes, mesmo que já tenham realizado o exame antes. O objetivo é refinar o diagnóstico inicial com aval de cardiologistas infantis, pediatras e cirurgião, buscando a conduta mais adequada para cada tipo de patologia, pois pode haver algo mais - especialmente nos casos com mais tempo de fila. Apesar de serem enviadas com um diagnóstico prévio, pode ser necessário mudar a estratégia para garantir o melhor resultado possível. Um protoloco de investigação pré-operatório também é realizado nos adultos, sendo estes submetidos a cateterismo antes de confirmar a indicação para o procedimento minimamente invasivo indicado ou de cirurgia cardíaca.

No pós-operatório, as crianças contam com o acompanhamento da cardiologista pediátrica Mariana Oliveira e todas passam pelo menos 24 horas em cuidado intensivo na UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital. A médica responsável pela Unidade, Gyane Groppo, conta que todos os primeiros casos foram de sucesso. Nesta etapa, a UTI permite o acompanhamento das mães em tempo integral e a equipe se adaptou bem à novidade, sem qualquer reclamação por parte dos pais, mesmo sendo este o período mais tenso da internação, ou dificuldade com o manejo técnico dos pacientes. Na sequência, eles se restabelecem na enfermaria pediátrica até terem condição de alta. Como por rotina de cuidado estabelecido, todos repetem o ecocardiograma antes de irem embora, a média total de permanência tem sido em torno de sete dias.


Os adultos internados passaram por angioplastia coronariana com implante de stent, na sua maioria, e o Hospital está habilitado também para troca de válvula, revascularização miocárdica ou implante de marcapasso. Nestes casos, todos receberam cuidados intensivos no pós-operatório imediato, sob a orientação das médicas Marselha Barral, Diane Henrique e Renata Ribeiro, com mais um ou dois dias em enfermaria. Ainda não chegaram casos com necessidade de cirurgia cardíaca.


O Hospital também está atento às opiniões dos acompanhantes, especialmente, e considera cada sugestão para refinar o acolhimento. A maioria absoluta só fez elogios ao hospital e sua equipe. Mas uma fala do pai de Mariá, de cerca de 3 anos, define o que é a proposta do Therezinha, dar tratamento digno a quem precisa. Eduardo, de Cuiabá/MT, agradeceu todo o suporte que recebeu, mas foi incisivo como usuário do Sistema: "comparado com SUS do Mato Grosso, o que tivemos aqui foi perfeito. O hospital é bem higienizado, correu tudo bem com a cirurgia, mas é assim que tem que ser mesmo, pois este é o tipo de atendimento que todos merecem num país decente".

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